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Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026
Embraer alerta que tarifaço nos EUA pode gerar impacto equiparável à pandemia de covid-19

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Embraer alerta que tarifaço nos EUA pode gerar impacto equiparável à pandemia de covid-19

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A Embraer, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus, avaliou que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil pode causar um impacto na empresa semelhante ao registrado durante a pandemia de covid-19. Naquele período, a companhia enfrentou uma redução de cerca de 30% na receita e precisou cortar aproximadamente 20% de seu quadro de funcionários. A empresa estima que o tarifaço aumentará o custo de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões, o que, até 2030, pode resultar em R$ 20 bilhões em tarifas.

Segundo Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, essa elevação nos custos poderá provocar cancelamentos de pedidos, postergações de entregas, revisões no plano de produção, queda na geração de caixa e redução de investimentos. “Não há como remanejar encomendas de clientes dos Estados Unidos para outros mercados. Não tem como remanejar essas encomendas. Avião não é commodity. O maior mercado de avião executivo é nos Estados Unidos. Não tem como reposicionar isso para outros mercados”, frisou Gomes em uma entrevista realizada na terça-feira (15).

As exportações para os EUA correspondem a 45% da produção de jatos comerciais e 70% de jatos executivos da Embraer. Para Gomes, a tarifa de 50% de importação poderá inviabilizar essas vendas. “Cinquenta por cento de alíquota é quase um embargo. E não é só para a Embraer, é para qualquer empresa. Cinquenta por cento dificultam ou inviabilizam as exportações para qualquer país. É um valor muito elevado. E, para avião, é mais impactante ainda devido ao alto valor agregado do produto”, destacou ele.

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O executivo da Embraer observou que o tarifaço também afetará produtores norte-americanos, o que pode favorecer uma negociação. Gomes destacou que, até 2030, a Embraer tem potencial de adquirir US$ 21 bilhões em equipamentos fabricados nos Estados Unidos para equipar suas aeronaves. “Por isso que nós achamos que uma solução negociada é possível”, afirmou. “A gente foi lá [nos Estados Unidos] para mostrar isso para eles. Eles entendem isso, mas eles querem ver uma negociação bilateral avançando, como eles estão buscando em vários outros países”, completou.

Gomes demonstrou confiança em um acordo entre Brasil e Estados Unidos, citando como exemplo o tratado recente entre os norte-americanos e o Reino Unido, que resultou no retorno da tarifa zero para o setor aeronáutico. “Houve concessões de ambas as partes e, no caso do setor aeroespacial, a alíquota era de 10%. A gente está otimista com a situação, e esse exemplo aí do acordo entre o Reino Unido e os Estados Unidos fica como uma boa base para o Brasil também”, finalizou o executivo.

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