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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026
Impactos do tarifaço nos EUA: aumento de inflação, desemprego e crédito mais caro no Brasil

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Impactos do tarifaço nos EUA: aumento de inflação, desemprego e crédito mais caro no Brasil

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Os grandes exportadores brasileiros não serão os únicos a enfrentar prejuízos com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil nesta semana, que entra em vigor no dia 1º de agosto. Caso o governo Lula (PT) não consiga reverter a medida ou implemente tarifas em retaliação aos produtos americanos, os efeitos devem se estender ao aumento de desemprego, maior inflação e dificuldade para o crédito, além de encarecimento de produtos no dia a dia.

Preços vão subir

A oferta de alimentos no mercado interno pode ser ampliada no curto prazo com a redução de exportações para os Estados Unidos, porém os preços não permanecerão baixos por muito tempo. "Carne de boi, de frango, de porco, café e suco de laranja terão um excedente momentâneo no mercado brasileiro, já que os empresários buscarão redirecionar a produção para outros mercados", destaca o economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor de Administração da ESPM. “O preço baixo dos alimentos será apenas no curto prazo.”

A tributarista Mary Elbe Queiroz acrescenta que a possível queda nos preços será "muito pequena" e afirma que "pode até ser que sobre mais comida se deixarem de exportar, mas o impacto será limitado."

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Entretanto, caso o Brasil também taxe produtos americanos, os preços de itens como componentes eletrônicos e produtos tecnológicos podem pressionar a inflação. "Essa situação terá reflexos na indústria automotiva e no agronegócio", avalia o tributarista Elias Menegale, do Paschoini Advogados.

De acordo com o Dieese, "temos alguma dependência nas áreas médica, química, eletrônica e farmacológica, sem substituição fácil ou condições de produção em curto prazo".

A inflação já está acima da meta. O IPCA, índice oficial da inflação brasileira, acumulou alta de 5,35% nos 12 meses até junho, superando a meta de 3% e o intervalo de tolerância, que varia de 1,5% a 4,5%. Com uma possível taxação de produtos importados dos EUA, a inflação de eletrônicos e outros itens deve aumentar ainda mais.

Desemprego à vista

A alta inflação pode desencadear queda no consumo, criando efeitos em cascata. "Se o consumo reduz, as vendas caem, as empresas vendem menos e a produção diminui", explica Mary Elbe Queiroz, presidente do Cenapret (Centro Nacional para a Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários). "Embora não seja possível quantificar, o impacto pode afetar os empregos."

O desemprego será mais significativo nos setores que exportam diretamente para os Estados Unidos, a menos que essas empresas consigam redirecionar suas vendas para outros países, de acordo com Gustavo Taparelli, tributarista da Abe Advogados.

No setor calçadista, o impacto é expressivo: 60% dos calçados exportados têm como destino os EUA. "São calçados com a marca de clientes norte-americanos, o que dificulta o redirecionamento para outros mercados", afirma Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados. Ele ressalta que "quase 90% da produção já é destinada ao mercado interno, mas, se a produção recuar, haverá impacto no nível de emprego."

Crédito mais caro

A redução de dólares entrando no Brasil devido ao declínio das exportações pode provocar desvalorização do real frente ao dólar. Essa dinâmica encarece os produtos importados, combustíveis e insumos industriais, aumentando os preços gerais e forçando uma política de juros mais altos para conter a inflação. "Esse cenário encarece o crédito, já que a taxa Selic pode permanecer elevada por mais tempo", explica Eduardo Garay, CEO da TechFX, plataforma especializada em câmbio.

Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista da ESPM, reforça: "Se a inflação subir, o Banco Central precisará manter os juros altos ou até aumentá-los, desacelerando a economia e dificultando o crédito para famílias e empresas." Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o maior valor desde 2006.

Abrir crediário pode se tornar mais caro. "A taxa de juros elevada afetará as compras financiadas. Quando o consumidor for às Casas Bahia, por exemplo, pagará mais caro pelo produto", alerta Santos Filho.

Crescimento menor da economia

O tarifaço imposto por Donald Trump deverá contribuir para a desaceleração da economia brasileira. Segundo o Goldman Sachs, o PIB nacional pode encolher entre 0,3 e 0,4 ponto percentual apenas em virtude das tarifas. "O efeito global é a desaceleração da economia, com impacto no poder de consumo e no comércio local", explica o professor da ESPM.

Para o consumidor brasileiro, os efeitos mais visíveis serão a desvalorização do real, combustíveis mais caros, preços mais altos para alimentos, eletrônicos mais caros e crédito mais restrito. "Essa cadeia de impactos reduz o poder de compra e limita o crescimento econômico", analisa Eduardo Garay da TechFX.

No longo prazo, especialistas recomendam diversificação de mercados. Segundo nota técnica do Dieese, "deve-se incentivar a desconcentração de mercados e de produtores, especialmente em segmentos de maior densidade tecnológica."

Por outro lado, a dependência atual dos Estados Unidos é consideravelmente menor do que no passado. Em 2002, mais de 25% das exportações brasileiras tinham os EUA como destino, enquanto, em 2024, o percentual foi de cerca de 12%. No entanto, o Brasil agora depende mais da China, que responde por 31% das exportações brasileiras realizadas no último ano.

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