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Domingo, 15 de Fevereiro de 2026
Uso de internet por crianças no Brasil cresce acentuadamente, com impacto da pandemia e diferenças sociais

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Uso de internet por crianças no Brasil cresce acentuadamente, com impacto da pandemia e diferenças sociais

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Nos últimos dez anos, o uso de internet e a posse de aparelhos celulares entre crianças brasileiras de até 8 anos apresentaram crescimento expressivo. Na faixa etária de 0 a 2 anos, a porcentagem de crianças que utilizam a internet subiu de 9% em 2015 para 44% em 2024. Já entre crianças de 3 a 5 anos, esse número cresceu de 26% para 71% no mesmo período. Na faixa de 6 a 8 anos, o índice dobrou, passando de 41% em 2015 para 82% no ano passado. Os dados fazem parte de um estudo inédito desenvolvido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (11), durante o Dia da Internet Segura, celebrado em um evento na cidade de São Paulo, e baseia-se em pesquisas TIC Domicílios e TIC Kids Online Brasil realizadas entre 2015 e 2024. “Esse dado precisa ser melhor investigado no futuro para a gente entender quais são os tipos de uso. A gente sabe que muitas vezes esse uso é para assistir programas ou conteúdos, não necessariamente é um uso muito ativo da internet. Mas isso já mostra que a tecnologia está presente nos domicílios para essa faixa etária”, explicou o coordenador-geral de pesquisas do Cetic.br, Fábio Senne. Em relação à posse de celulares, a proporção também aumentou significativamente. Entre 2015 e 2024, o percentual de crianças de 0 a 2 anos com celulares passou de 3% para 5%; na faixa de 3 a 5 anos, foi de 6% para 20%; e, para crianças de 6 a 8 anos, o índice dobrou, de 18% para 36%. Quanto ao uso de computadores, por outro lado, as proporções diminuíram: entre crianças de 3 a 5 anos, caiu de 26% em 2015 para 17% em 2024; e, na faixa de 6 a 8 anos, o percentual recuou de 39% para 26% no mesmo período. O estudo também revelou que as desigualdades econômicas influenciam o acesso às tecnologias digitais entre as crianças. Em 2024, entre crianças da classe AB, 45% das de 0 a 2 anos, 90% das de 3 a 5 anos e 97% das de 6 a 8 anos utilizaram a internet. Na classe C, esses valores foram de 47%, 77% e 88%, respectivamente. Já entre crianças de classes DE, os índices ficaram em 40%, 60% e 69% nas mesmas categorias de idade. O acesso a aparelhos celulares também variou conforme a renda das famílias. Entre crianças de 0 a 2 anos, 11% das da classe AB tinham celulares, contra 4% das de classes DE. Na faixa de 3 a 5 anos, o índice de posse era de 26% nas classes AB e de 13% entre as classes DE. Já entre crianças de 6 a 8 anos, 40% das da classe AB possuíam um celular próprio, enquanto o percentual foi de 42% na classe C e de 27% nas classes DE. A pandemia de covid-19 também contribuiu para acelerar o crescimento do uso e da posse de dispositivos tecnológicos nessa faixa etária. “É interessante notar como a pandemia acabou provocando um novo patamar. Houve crescimento em todo o período [de dez anos], mas o crescimento entre pré e pós-pandemia acabou colocando isso em um patamar acima, com crianças a partir dos 3 anos já tendo seu próprio dispositivo”, destacou Fábio Senne. Os dados sugerem que, durante a pandemia, houve um aumento repentino na posse de celulares. De 2015 a 2019, os números permaneceram estáveis, mas cresceram em 2021 e estabilizaram-se em um novo patamar até 2024. Na faixa etária de 3 a 5 anos, a posse de celulares subiu de 12% em 2019 para 19% em 2021, enquanto, entre crianças de 6 a 8 anos, o índice cresceu de 22% para 33% no mesmo período. “Os celulares viraram dispositivos mais do dia a dia de crianças e adolescentes, principalmente naquele momento ali de restrição. E também o acesso à internet seguiu com um crescimento muito grande após a pandemia”, acrescentou Senne. No entanto, o estudo identificou uma diminuição no uso de computadores, sejam desktops, tablets ou laptops, no período pós-pandemia.
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